domingo, 8 de julho de 2012

"Anúncio da hora do fim" - Rafael Cortez


Quando, por acaso, ao sair do meu e-mail yahoo, me deparei com este post, logo pensei:

Antes tarde do que nunca!

É impressionante como as pessoas levam tempos para ver o que sempre esteve na cara... Todos os comentários que ele fez são lógicos, óbvios e, me desculpe Rafael, isso nada tem a ver com idade e sim com maturidade!

Tenho conhecidos que tem mais idade do que você e ainda tem o tal "pique" para esse tipo de diversão. Vivem num mundo "global", onde o silêncio e a convivência consigo mesmos incomoda - e como incomoda!!!

Gostar de estar consigo mesmo deveria ser uma coisa tão natural quanto respirar. Se não gostamos de estar sozinhos, aí está um importante alerta de que não somos bons para nós mesmos - resultado: para não ter este trabalho muitos buscam fora o que não encontram dentro - ou acabam refletindo fora o que vem de dentro e se maltratam o tempo todo usando a interface "diversão".

Mas hoje somos jogados para fora de nós mesmos com a maior facilidade para uma busca sem sentido pelo que passa. A bebida se encarrega de tirar o foco. O som alto se encarrega de "calar" o silêncio interior (porque ele fala muito e muito mais alto!). A quantidade de pessoas que já "pegou" se encarrega de encobrir a qualidade de pessoas que poderiam ter acrescentado muito mais e você deixou passar por medo ou incapacidade. O abraço que deu várias vezes no vaso sanitário, poderia  ser um outro tipo de abraço, bem mais saudável...

O texto dele é bom para que "jovens" reflitam e critiquem um pouco o que é tido por "aproveitar a vida"... Criticar, questionar, mudar - estão aí 3 ações importantes a levar pessoas a "correr o risco" de ver tudo sob outra ótica e, de repente, se deparar com uma intolerância por algo que sempre teve por tolerável, pois fazia parte do seu "pacote social" ou "autoboicote". Evoluir, amar (-se) e viver saudavelmente - é para isso que somos criados e inquietos são os que ainda não se depararam com esse paradigma.

Ao Rafael desejo que esse seja apenas o começo de outras tantas boas mudanças que virão, se continuar a se questionar desta maneira. E que não tenha medo de expor suas idéias exatamente como pensa, para não ser alvo de críticas  - este mundo está carente de personalidade.

Segue o post:


Tem uma hora na vida de um homem em que ele precisa saber quando sair de cena.
Aliás, essa sabedoria do "quando parar" deveria ser inata a todos. Homens e mulheres, cada qual sabendo bem quando é a hora certa de tirar o time de campo. Se esse bom-senso fosse geral, a humanidade se veria livre de mais um disco do Restart, Michael Jackson não teria se sobrecarregado e morrido por um novo show, Serra não sairia mais candidato a nada e o Felipe Andreoli ia parar de jogar bolinhas em um balde.
Mas não. A gente observa o contrário. Tem gente que insiste no mesmo erro e não aprende. Que força uma barra danada a troco de coisa alguma, ou de muito pouco. E eu não quero ser mais um desses que dá cabeçada e não muda.
Antes que muitos dos leitores que me odeiam possam comemorar, não. Não vou abandonar minha carreira, sair do CQC, sair da TV, voltar pro teatro infantil ou pra lata de lixo onde alguns acham que nasci. Também não vou largar esse blog ou pedir as contas no Yahoo!. Mais simples que isso: eu vou parar, definitivamente, de ir a baladas.
Ontem, pela última vez, fui a duas casas noturnas. Duas na mesma noite. E me dei conta que meu tempo passou. Aconteceu, fiquei velho para festas bombásticas. Às vésperas de completar 36 anos, caiu a ficha que não consigo mais compactuar da histeria, bebedeira, loucura e hipocrisia que existe na noite e em seus personagens.
Eu já sabia, mas demorei pra entender de verdade: na balada ninguém é seu amigo realmente. E a premissa da eterna felicidade da noite com seus aditivos e barulheira é uma contradição com o que a vida pede da gente no dia seguinte, com seus compromissos e duras responsabilidades.
Antes que mais de 300 pessoas comecem a me agredir aqui dizendo que eu sou um tremendo mala, que não sei me divertir, que não posso julgar quem gosta de festas, etc, deixa eu escrever uma coisa: é tudo bem mais simples. Eu adorava toda essa bagunça das madrugadas. Mas tô ficando velho mesmo. Não consigo mais.
O erro não está nos lugares e nas pessoas que querem que eu dance e grite, está em mim. Envelheci. Aliás, nem dá pra chamar isso de erro. Envelhecer é uma dádiva, ainda que assuste um pouco.
À medida que o tempo passa, a gente somatiza rabugices e manias. Comigo isso fica claro nas baladas. O som muito alto me incomoda. Ter que socializar o tempo todo também. Lutar como um gladiador por um copo de vodca com energético mais ainda.
A gente passa a se preservar mais também. A iminência de sempre ter que "se dar bem" fica em segundo plano. A cobrança por emanar felicidade a todo momento cai. Você não aceita mais que espanquem sua conta bancária na saída. Uma hora você decide não ser mais do agito e se sente melhor. Você se aceita como é, com suas contradições e realidade.
Eu agora quero mais bares e jantares a dois. Mais filme em casa e uma ou outra festa temática por semestre, como um casamento de amigos, um lançamento de produto, um encerramento de evento. Vez ou outra, e olhe lá, alguém vai dizer que me viu numa balada — mas vai ser uma coisa pontual, como as festas do Iquinho, amigo do Cami Colombo, que são bem boas e raramente rolam em casas noturnas.
Enfim, foi bem legal enquanto durou. Acho que ainda levarei comigo, por muito tempo, um pouco dos milhares de litros de álcool que consumi nas noites, bem como parte da memória de bocas que beijei, entre mulheres lindas e outras que nem deveriam ter nascido. Espero que meu corpo não recorde muito dos cigarros que fumei e nem das vezes que abracei mais o vaso sanitário do que uma gata que tenha me dado mole.
Foi bom enquanto durou. Mas agora, acabou. A propósito: alguém sabe onde tem um bom lugar para jogar gamão?.

"Oração aos Moços" (7) - Rui Barbosa

Quem é fiel no pouco é fiel no muito...

"Moços, se vos ides medir com o direito e o crime na cadeira de juízes, começai, esquadrinhando as exigências aparentemente menos altas dos vossos cargos, e proponde-vos caprichar nelas com dobrado rigor; porque, para sermos fiéis no muito, o devemos ser no pouco. 'Qui fidelis est in minimo, et in majori fidelis est;et qui in modico iniquus est, et in majori iniquus est.'

(...)

Mas justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito escrito das partes, e, assim, as lesa no patrimônio, honra e liberdade. Os juízes tardinheiros são culpados, que a lassidão comum vai tolerando. Mas sua culpa tresdobra com a terrível agravante de que o lesado não tem meio de reagir contra o delinquente poderoso, em cujas mãos jaz a sorte do litígio pendente."