terça-feira, 16 de julho de 2013

Revolução de 1964 - parte IV (última)

"31 DE MARÇO

 No dia 31 de março, levantaram-se as tropas de Minas Gerais, comandadas pelos generais Olímpio Mourão Filho, Carlos Luís Guedes e Antônio Carlos Muricy. O marechal Odílio Denys, não obstante encontrar-se na reserva, uniu-se a seus companheiros revolucionários.

A revolução representou, na realidade, um movimento anti-subversivo, desfechado quase espontaneamente sob geral expectativa.

Não resta dúvida de que seus iniciadores vieram às ruas dispostos a tudo. Em poucas horas criou-se um Poder Revolucionário, entusiasmado e decidido. Chefes militares, general Castelo Branco e Costa e Silva, assumiram a responsabilidade de liderança do movimento acompanhados  e auxiliados por antigos camaradas e grande número de oficiais. A Escola de Estado-Maior do Exército e a Escola Superior de Guerra converteram-se em centro de ação revolucionária. Inúmeras unidades, em todo país, declararam-se rebeladas e, à medida em que as horas se passavam, 31 de março, processou-se avassaladora adesão das forças armadas, contrárias à violação da disciplina e da hierarquia. Os líderes comunistas, presos ou postos em fuga. O dispositivo do Presidente Goulart falhara integralmente.

As últimas horas do governo: sombria expectativa. Muitos ainda, nas salas do Palácio das Laranjeiras, acreditavam na possibilidade de contenção das tropas de Minas e S. Paulo, em marcha para o rio de Janeiro. Quando se soube que João Goulart, fugira, embarcando, às pressas, num avião que o aguardava no fim da pista do Aeroporto Santos Dumont, toda a gente que o acompanhara naqueles momentos cruciais, entrou em pânico e abandonou o palácio precipitadamente, de sorte que, em alguns minutos, aquele edifício, onde pouco antes se agitavam ministros, parlamentares e secretários, converteu-se num silencioso e desarrumado ambiente. A República Sindicalista perdera sua última oportunidade.

CASTELO BRANCO INICIA A OBRA REVOLUCIONÁRIA

O Governo Revolucionário, de início, entregue aos três Ministros Militares, como Supremo Comando, encontrou o país em verdadeiro caos. Decidiu o Comando promulgar o Ato Institucional  n.º 1, 9 de abril, que afirmava as bases democráticas da Revolução, mas estabelecia as medidas vigorosas que a situação excepcional impunha. Entre essas faculdades, o Executivo recebia amplos poderes para suprimir direitos políticos de cidadãos incriminados, por períodos até 10 anos. Mandatos de membros do legislativo poderiam ser cassados. Suspensas, 6 meses, as garantias constitucionais de segurança para funcionários públicos.
As forças armadas assumiam, virtualmente, a responsabilidade da direção nacional e prometiam apuração cabal da culpabilidade dos implicados na subversão e na corrupção.

Dois dias mais tarde, 11 de abril de 1964, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, um dos mais brilhantes e notáveis chefes do exército brasileiro, figura tradicional por sua atuação na Força Expedicionária e nas mais elevadas funções militares, eleito Presidente da República, recebendo o pesadíssimo encargo de restabelecer a ordem em todos os setores da vida nacional, que um regime irresponsável abalara brutalmente.

Castelo Branco, enérgico e prudente, iniciou um governo de saneamento e reconstrução, procurando extirpar as falhas em suas raízes, revitalizar o organismo do País e restaurar o seu prestígio internacional. Organizou um ministério com figuras das mais competentes e notáveis. Adotou corajosas medidas de contenção da inflação e promoveu inúmeras iniciativas de desenvolvimento. Enfrentou sérias crises, naturais em um ambiente revolucionário, onde as sensibilidades afloram no intuito patriótico das facções idealistas. Os problemas político-militares induziram-no a editar novo Ato Institucional que restabelecia poderes excepcionais, dissolvia os partidos políticos, estabelecia eleições indiretas para governadores e recuperava a prerrogativa de cassação de direitos políticos.

A gestão de Castelo Branco restaurou a autoridade moral do Presidente da República do Brasil. Infundiu a confiança do povo e elevou o conceito de nosso País no exterior. A figura desse Marechal que, em função de estadista revelou-se indiscutível, honrou o exército, ao mostrar sua cultura, o seu patriotismo e a sua coragem. Como desejava, 15 de março de  1967, entregou a faixa presidencial ao marechal Costa e Silva, eleito seu sucessor. Retirou-se modestamente para sua vida particular, vindo a falecer, pouco mais tarde, em consequência de lamentável acidente aéreo. Tributou-lhe a Nação, que tanto lhe devia, as mais sentidas homenagens.

COSTA E SILVA E MÉDICI PROSSEGUEM A REVOLUÇÃO

O marechal Costa e Silva, extraordinário valor humano, procurou, a par de medidas incentivadoras do desenvolvimento nacional, conduzir a nação a níveis mais moderados de restrições políticas, impostas pelas injunções revolucionárias. Todavia, o recrudecimento das agitações, particularmente no meio estudantil, excitado por comunistas, exigiu a promulgação do Ato Institucional n.º 5, cuja eficiência se refletiu realmente na tranqüilização do ambiente nacional. Costa e Silva promoveu notável programa de  transportes, estabeleceu estrutura de planejamento governamental, eficiente, melhorou a situação financeira e incentivou notavelmente o setor da educação.
Vitimado por infeliz problema de saúde, teve que se afastar das funções, falecendo, pouco depois.

Nessa dolorosa circunstância, assumiu a Presidência da República, eleito pelo Congresso, o terceiro mandatário da Revolução: General Emílio Garrastazu Médici.

Com as medidas saneadoras de seus predecessores, pôde o Presidente Médici tomar, com grande felicidade, notáveis iniciativas, resultando em evidente progresso nacional, particularmente nos setores econômico e social. Reduziu-se a taxa de inflação, o custo de vida diminuiu o seu ritmo ascensional, e o Brasil revelou um dos maiores índices de crescimento do produto interno bruto, mundial. O prestígio nacional ampliou-se. A Nação recuperou paulatinamente a normalidade de suas instituições democráticas, apesar das atividades desesperadas de pequenos grupos comuno-terroristas que procuram perturbar a vida do país, sem o menor apoio da opinião pública que, pelo contrário, repudia as ignóbeis ações da covardia extremista.

A Revolução de 31 de março caminha para glorioso destino. O exército, juntamente com as forças irmãs, recebeu e assumiu corajosamente as responsabilidades da direção nacional e teve que apoiar o fortalecimento do governo, a fim de restaurar a ordem interna e garantir o desenvolvimento do País. Seus ideais democráticos permanecem imutáveis mas ele sabe que a Segurança Nacional exige, muitas vezes, inevitáveis sacrifícios. O povo brasileiro tem demonstrado sua confiança e o seu aplauso. Alfredo Buzaid, Ministro da Justiça do Governo Médici: "A Revolução não nasceu de uma quartelada, foi um brado de independência do povo e das Forças Armadas que se identificaram num ideal comum. O povo saiu à rua em massa eloqüente por Deus, pela Pátria e pela Família. As Forças Armadas, cuja política de segurança foi preparada pela Escola Superior de Guerra, puseram abaixo um governo sem moral, sem dignidade e sem decoro. A vitória da Revolução deu-nos uma aurora de paz e de compreensão".

O país desperta diante de horizontes claros e promissores. A Revolução de 1964 começou realmente há muitos anos. É um processo irreversível de aperfeiçoamento institucional.

O exército brasileiro confunde-se com o próprio povo. A sua história é o reflexo fidedigno da história da pátria. Os seus líderes são a revelação do que há de mais autêntico na galeria honrosa dos grandes nomes do País. Não há dúvida, pois, que o admirável caráter desse povo, e o extraordinário valor desse exército estão construindo para a admiração do mundo, em bases democráticas, uma grande Potência, em que a liberdade se associa à responsabilidade, em que a justiça se apóia na dignidade, em que a cultura se fundamenta na valorização da pessoa humana e em que ideais de uma sociedade progressista convergem para a consecução do Bem-Comum.

VOZ DA HISTÓRIA

Remontemos, agora, ao passado, síntese.
Busquemos os grandes e nobres exemplos, nas lutas, cruentas ou não, pela defesa do Brasil e de seus bens culturais e materiais. Aí sempre estiveram presentes as forças terrestres, como expressão legítima do nosso povo.

Em mais de quatro séculos, elas hoje sublimadas no Exército Brasileiro, revelaram o mesmo valor e incomparável constância na conquista e manutenção dos grandes objetivos da Pátria, sob a égide dos Valores Espirituais e Morais da Nacionalidade, tradicionalmente cristã.

Há nesse caminho histórico uma voz que fala ao coração dos soldados brasileiros. Poderíamos ouvi-la nos Guararapes, em Tuiuti e nos brados da Revolução de 1964.

As mudanças das épocas não alteram as visões, as reações, as perspectivas e os desígnios traçados: grandeza do Brasil."