terça-feira, 13 de março de 2012

Ética ante o inimigo

Esta passagem do livro: "MANUAL DE ÉTICA PARA LAS FUERZAS MILITARES Y DE POLICÍA" (P. Jorge Orlando Contreras S. y Mons. Ariel Gutiérrez, Bogotá - Colômbia) não nos serve só para os casos de conflitos de guerra. Ela nos alerta para uma humanidade e inteligência que se deve preservar diante daqueles que consideramos como "inimigos".

É humano tratá-los como gostaríamos de ser tratados.
É inteligente não aguçar mais seu desagrado por nós.
É lúcido concluir que conflitos, sejam eles quais foram, não tem o condão de nos transformar em animais irracionais, sem inteligência emocional.

Ao inimigo tem que observar-se - e semear no ânimo das tropas - sentimentos nobres. Se luta contra ele porque uma causa justa nos obriga a fazê-lo, mas sem perder de vista que ele tem sua própria causa, e não é conspurcando nossa conduta com procederes condenáveis que poderemos mostrar que a própria é melhor. Tratar o inimigo ferido com piedade, dispensar-lhe a ajuda médica que seja possível, aliviar a situação do prisioneiro, não só é matéria de legislação internacional de forçoso cumprimento. É parte de uma ética que não pode apagar-se pelo horror e a paixão da luta. E se estas considerações cabem respeito ao inimigo em armas, com maior razão devem aplicar-se à população civil própria ou de uma nação inimiga. Recorrer ao terror para paralisar a população não combatente e evitar que apoie de qualquer maneira o inimigo, é suscitar energias opostas que, ao desatar-se ante alguma conjuntura favorável retornam como afilhado bumerangue. Dom Pablo Morillo, o pacificador espanhol da Reconquista, quis submeter o povo granadino com os cadafalsos, os desterros, a confiscação de bens, quando uma atuação benévola e compassiva teria podido atrair ao Rei a vontade das gentes e despertar lealdades dormidas. A aparente intimidação só serviu para acumular nas vontades transitoriamente subjugadas, energias rebeldes que acabaram derrubando a efêmera quietude.