segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Enquanto isso, alguns fazem o que podem...

Dói na gente, mas dói mais neles... 


"De qualquer tipo que seja a pobreza, ela não é causa da imoralidade, mas o efeito."
                                                                                  (Thomas Carlyle)

Ética Econômica e Valores Sociais

Hoje a "GLOBONEWS" apresentou, no programa "Cidades e Soluções", um painel interessante sobre a desigualdade onde os três participantes - Sergio Besserman (PUC-RJ), Ricardo Abramovay (USP) e Taís Santos (ONU) buscaram pontuar alguns valores que precisam ser observados por cada um de nós e não só pelos governantes ou organizações internacionais.

Iniciou-se o painel destacando que hoje somos 7 bilhões de pessoas no mundo, com expectativa de que ainda neste século sejamos 10 bilhões - segundo dados da ONU. A produção mundial indica que há alimentos para todos, mas que os mesmos são mal distribuídos. Ainda há muito desperdício de recursos naturais, especialmente os hídricos, como nas lavouras, por exemplo. A ética precisa retornar às grandes negociações econômicas, o que foi perdido no século XX e deve ser recuperado no século XXI, e esta mesma ética econômica precisa atingir também a cada um de nós - precisamos ser mais comedidos no consumo e não fomentar um desgaste desnecessário da natureza, precisamos ser mais criteriosos em nossas necessidades.

Não obstante tudo o que devemos fazer, a existência da desigualdade é um pressuposto da humanidade, é natural e nunca deixará de existir, mas questionou-se: em que medida é suportável? Há níveis que são inaceitáveis, como os que vivemos hoje, onde a fome ainda atinge milhões de pessoas.

Para haver um maior equilíbrio, afirmou-se que devemos repensar os valores sociais e a ética econômica. Dentro desse contexto, concluiu-se que no século XXI o melhor ativo a ser distribuído é o conhecimento, porque não expropria nada de ninguém. Cada vez mais se dará valor ao conhecimento e não aos bens de consumo, como o melhor status que alguém pode ter. Também será ele, o conhecimento técnico-científico, que levará as soluções para a diminuição das desigualdades.

O que mais se extrai dos comentários destes 3 especialistas é que o ponto de partida é, sem dúvida, a MUDANÇA DE VALORES - buscando mais o conhecimento do que os bens ou o consumo, perseguindo a ética na economia e tendo uma visão global dos problemas sociais e ambientais, contribuindo para as soluções; valores estes capazes de ativar em cada um a mudança de comportamento apta a contribuir para a evolução e a sustentabilidade de um mundo que está cada vez mais populoso. Essa mudança precisa acontecer. Ela deve preceder negociações e investimentos. Deve nortear decisões políticas e pessoais. Deve ser capaz de descartar hipóteses de ação em que o impacto socio-ambiental negativo será um risco iminente ou consequência lógica.

Assim, o sofrimento humano atingido pelo quadro de extrema desigualdade deve ser visto como responsabilidade não só de governos, mas de cada um, sob pena de, em troca de alívios de consciência, estarmos perdendo nossa própria identidade humana que comporta amor e solidariedade - tanto para as gerações presentes como para as que virão.


Para assistir o programa: http://g1.globo.com/videos/globo-news/cidades-e-solucoes/ em: 
"Distribuição de alimentos é desigual para toda a população do mundo"